Sexo é sinônimo de prazer, certo? Em geral, sim, mas muitas mulheres sofrem dores no ato da transa, que certamente atrapalham muito o momento.

A ginecologista Lilian Fiorelli explica cinco dos principais fatores de incômodo entre as mulheres na hora do sexo.

Falta de lubrificação: quando o organismo não produz lubrificação suficiente para preparar a vagina para a relação sexual, a mulher pode sentir muita dor na hora da penetração. Sem a lubrificação, o atrito pode ocasionar microfissuras na mucosa da vagina, o que gera a dor. O incômodo diminui a excitação e a sensação de prazer, reduzindo ainda mais a lubrificação, num ciclo bem desagradável.

A causa pode estar relacionada tanto a problemas ginecológicos mais sérios quanto a situações em que pequenos desequilíbrios na flora vaginal ou hormonal provocam a sensação de secura vaginal. O fator psicológico é outra possibilidade. A falta de lubrificação acontece com mais frequência entre mulheres mais idosas ou entre aquelas que não estão muito a fim da relação, por tensão ou qualquer outro fator.

Infecção urinária ou cistite: ardência, incômodo ou dor durante a relação sexual ou mesmo após o ato podem indicar uma cistite, que é uma infecção e/ou inflamação da bexiga, em geral causada por bactéria (infecção urinária). Como a bexiga fica muito próxima à vagina, quando há infecção, o contato contínuo na relação pode piorar o incômodo na hora do ato.

Foto: pixabay

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Candidíase: em geral está associada ao corrimento branco, às vezes com coceira e bastante dor na hora da penetração. A infecção é causada pelo crescimento excessivo de um tipo de fungo denominado Candida. O microorganismo é normalmente encontrado em pequenas quantidades na vagina, não causando qualquer sintoma. No entanto, certos medicamentos e problemas de saúde podem favorecer o crescimento. Embora a candidíase não seja considerada uma DST, ela pode ser transmitida por meio do contato sexual, para as genitálias e a boca.

Endometriose: neste quadro, as células do endométrio, camada que reveste a parede interna do útero, crescem em outras regiões do corpo, principalmente na região pélvica (no útero, ovário, intestino, reto e bexiga). Todo mês, os ovários produzem hormônios que estimulam as células do endométrio a se multiplicar e estar preparadas para receber um possível embrião. Quando não há gestação, o corpo elimina parte do endométrio na menstruação. Quando o endométrio apresenta crescimento em outras partes do corpo, é como se essas partes “também menstruassem”, e o sangramento fica dentro da barriga, ocasionando aumento da dor no período menstrual. Se as células estiverem localizadas próximo da vagina, como atrás do útero, nos ovários ou forem disseminadas pela pelve, podem ocasionar dor quando o pênis bate no fundo.

Vaginismo: muitas vezes encarado como frescura, acontece quando o assoalho pélvico, em um espasmo muscular, fecha a região em volta da vagina. Essa musculatura, ao contrair, impede a penetração e causa dor quando há a tentativa de penetração. Essa contração é feita de maneira involuntária. Motivos fisiológicos ou psicológicos podem gerar esta disfunção. Mulheres que tiveram uma educação muito rígida, em que a virgindade é muito valorizada, costumam desenvolver o vaginismo, bem como aquelas que têm medo de engravidar. O tratamento, na maioria das vezes, está associado a terapia, que pode ser conjunta (ginecologista, fisioterapeuta, sexólogo e psicológico).

Seja qual for a causa da dor, a ginecologista aconselha: “o importante é não ter vergonha de conversar com o parceiro nem com o médico sobre o assunto. Procure a orientação necessária, faça os tratamentos de acordo com cada causa e aproveite uma vida mais feliz e prazerosa”, recomenda Lilian.